O Woyekê é obra do Mestre Dinho Gonçalves,
que nos conta a seguir como idealizou o grupo.

Há alguns anos, quando estive na Europa, fui assistir a uma apresentação
do grupo de percussão francês chamado Grupo de Percussão
de Estrasburgo, comandado por Batigne, que era seu criador e líder.
Eram seis percussionistas, que tocavam numa mesma peça quatro
ou cinco instrumentos diferentes. Executavam somente peças eruditas.
Eram excelentes leitores e incríveis instrumentistas. São
famosos em toda a Europa até hoje.
De volta ao Brasil, comecei
a elaborar a idéia de montar um grupo semelhante, mas com a versatilidade
de poder trabalhar tanto na área erudita quanto na popular. Uma
escola de samba, um ritual africano, são também grupos
de percussão, mas eu queria alguma coisa mais elaborada. Na ocasião,
eu já tinha me formado em regência, arranjos e composição.
Resolvi então escrever uma peça que reunisse as características
de uma orquestra, mas só com percussão. Criei então
a minha primeira peça, chamada Congo, inspirado pelas experiências
vividas na África, onde morei por algum tempo; isso foi em 1972.
Desde então, sempre mantive grupos de percussão formados
pelos meus melhores alunos. Nós realizamos workshops em faculdades,
centros culturais e nos apresentamos em casas noturnas, acompanhando
cantores e grupos de dança.

O nome Woyekê foi dado por Laura
Finocchiaro, com quem trabalhamos algumas vezes. Aos poucos, o grupo
de percussão Woyekê foi se firmando no cenário em
que juntamos percussão, voz em ritmos africanos, latinos e brasileiros.
Convém conferir.
Magister dixit - como diziam os antigos, "falou o mestre".

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